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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reflexão

Seu filho voltou da escola
Tristonho porque tudo ia mal.
Dizia não merecer nem a bola
Que havia ganho no Natal.

Português - um
Matemática - dois
Ciências - três
Um, dois, três
E não era o primeiro mês.

Você o deixou de castigo
Depois de uns tapas na traseira
Você se dizia seu amigo
E o acusou a semana inteira:

História - um
Geografia - dois
Inglês - três
Um, dois, três
E não era o primeiro mês.

E se Deus também
Desse notas pra você e pra mim,
Se Ele de repente viesse
Lhe mostrar o seu boletim:

Disponibilidade - zero
Atenção - zero
Paciência - zero

Não quero falar em termos de vingança
Quem sou eu para falar dos erros seus?
Mas talvez as notas baixas da criança
Sejam reflexos dos seus zeros diante de Deus.

(autor desconhecido)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

2012!


"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino."
(Paulo Freire)


Imagem daqui


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Começando bem...

Para um bom começo de ano letivo... rsrsrsrs!


Professoras de Português



01 - Professora de português não nasce; deriva-se.
02 - Professora de português não cresce; vive gradações.
03 - Professora de português não se movimenta; flexiona-se.
04 - Professora de português não é filha de mãe solteira; resulta de uma derivação imprópria.
05 - Professora de português não tem família; tem parênteses.
06 - Professora de português não envelhece; sofre anacronismo.
07 - Professora de português não vê tv; analisa o enredo de uma novela.
08 - Professora de português não tem dor aguda; tem crônica.
09 - Professora de português não anda; transita.
10 - Professora de português não conversa; produz texto oral.
11 - Professora de português não fala palavrão; profere verbos defectivos.
12 - Professora de português não se corta; faz hiato.
13 - Professora de português não grita; usa vocativos.
14 - Professora de português não dramatiza; declama com emotividade.
15 - Professora de português não se opõe; tem problemas de concordância.
16 - Professora de português não discute; recorre a proposições adversativas.
17 - Professora de português não exagera; usa hipérboles.
18 - Professora de português não compra supérfluos; possui termos acessórios.
19 - Professora de português não fofoca; pratica discurso indireto.
20 - Professora de português não é frágil; é átona.
21 - Professora de português não fala demais; usa pleonasmos.
22 - Professora de português não se apaixona; cria coesão contextual
23 - Professora de português não tem casos de amor; faz romances.
24 - Professora de português não se casa; conjuga-se.
25 - Professora de português não depende de ninguém; relaciona-se a períodos por subordinação.
26 - Professora de português não tem filhos; gera cognatos.
27 - Professora de português não tem passado; tem pretérito mais-que-perfeito.
28 - Professora de português não rompe um relacionamento; abrevia-o.
29 - Professora de português não foge a regras; vale-se de exceções.
30 - Professora de português não é autoritária; possui voz ativa.
31 - Professora de português não é exigente; adota a norma padrão.
32 - Professora de português não erra; recorre a licença poética.

Marluci Brasil

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Importante saber!

Os internautas de todo o mundo podem ter acesso a livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da União Europeia, no site da biblioteca multimédia online da Europa: www.europeana.eu

Obs: Acessível em todas as línguas da UE.

domingo, 9 de novembro de 2008

Direitos do Leitor



O direito de não ler.


O direito de saltar páginas.


O direito de não acabar um livro.


O direito de reler.


O direito de ler não importa o quê.


O direito de amar os “heróis” dos romances.


O direito de ler não importa onde.


O direito de saltar de livro em livro.


O direito de ler em voz alta.


O direito de não falar do que se leu.






Daniel Pennac, Como um Romance, Ed. ASA, 1992, p. 155.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sobre médias e mediocridades

Este texto, de Gustavo Ioschepe, publicado na Revista Veja de 29 de agosto, deveria ser, obrigatoriamente, lido por todos, principalmente os professores e profissionais envolvidos na Educação. Reflete claramente o comportamento da maioria das pessoas que busca sempre a "média".
Nunca esqueço o dia em que uma pessoa, muito próxima a mim, descobriu que "medíocre" é mediano, é a "média". Pareceu estranho, porque medíocre, no seu entender, é uma coisa pejorativa, vulgar. E médio, não o é?
Se contentar com a média 05 em uma avaliação escolar, quando você pode tirar 10, não é, antes de tudo, ser desonesto consigo mesmo? E esse "poder tirar 10" não está vinculado com ser mais inteligente, mas mais dedicado; com estudar buscando conhecimentos e não apenas passar de ano.
Cansei de ouvir críticas de amigos e familiares que acham que sou muito exigente comigo mesma, que não preciso estudar tanto, trabalhar tanto, fazer tantos cursos, aperfeiçoar-me tanto, ler tanto... e esperar o mesmo "tanto" dos outros...
Bem, definitivamente, ainda estou muuuito longe de estar acima da "média", mas tenho certeza que jamais me contentarei com a mediocridade...

(Ai, olha só, escrevi isto e agora fiquei com medo de ser tachada de arrogante!!!)

Vamos ao texto:



Preparados para perder
Gustavo Ioschepe

"No mês de julho, foram disputados outros Jogos Olímpicos: os escolares. Tivemos as Olimpíadas de Química, Física, Matemática e Biologia. Das 142 medalhas de ouro distribuídas nessas competições, o Brasil ganhou... zero."

O Brasil foi excepcionalmente bem nos últimos Jogos Olímpicos. Com catorze medalhas de ouro, ficamos em 14º lugar – destaque para o nadador Clodoaldo Silva, seis ouros. Infelizmente falamos da Paraolimpíada de Atenas, já que na última Olimpíada convencional o Brasil teve desempenho pífio: três ouros, 23ª posição, atrás de países como Jamaica, Quênia e Etiópia. Creio que essa diferença de performance entre os dois tipos de competição não seja totalmente acidental.


As razões costumeiras não parecem explicar bem os motivos do nosso fracasso. O primeiro vilão apontado é a nossa pobreza. Mas o Brasil é hoje a décima economia do mundo, não a 23ª.

A segunda razão comumente apontada é o pouco investimento em esporte no país. Em 2008, não foi o caso. Segundo a Folha de S. Paulo, apenas o governo federal investiu 1,2 bilhão de reais em esportes olímpicos desde Atenas. Sem incluir o orçamento de fontes próprias do COB, esse valor significaria um custo de 400 milhões de reais por ouro. O custo do Comitê Olímpico americano – financiado basicamente sem dinheiro público – foi de 32 milhões de reais por ouro.

A impressão que ficou de nossos atletas é que seus fracassos se deveram mais a questões psicológicas do que financeiras ou estruturais. E isso importa não por causa da Olimpíada, que tem valor apenas simbólico, mas porque essa mentalidade se reproduz em toda a vida nacional, com conseqüências reais.

No mês de julho, foram disputados os Jogos Olímpicos escolares: Química, Física, Matemática e Biologia. Das 142 medalhas de ouro distribuídas nessas competições, o Brasil ganhou... zero.



Não temos apenas carências materiais a nos complicar a vida: temos uma cultura que abomina a competitividade, desconfia dos vitoriosos e simpatiza com os fracassados. Quando o nadador César Cielo, não por acaso treinado nos EUA, declarou que iria em busca do ouro, o desconforto dos comentaristas televisivos foi audível: muita saliva gasta para deixar bem claro que se tratava de "autoconfiança" e não "arrogância". Porque melhor um bronze humilde do que um ouro arrogante! Se Michael Phelps tivesse nascido no Brasil, seria provavelmente exilado ao declarar a intenção de bater o recorde de medalhas em uma Olimpíada. Só num país de perdedores uma classificação para final olímpica é vista como "garantia de prata", e não uma chance de 50% de ouro. Só no Brasil se ouvem atletas dizendo que o bronze valeu ouro, só aqui se vê um chororô constante e público de favoritos que foram vencidos por seus nervos. Só aqui um atleta como Diego Hypólito, depois de cair sentado em sua competição e ainda ter a pachorra de culpar os céus ("Deus não quis. Deus decidiu isso."), é recebido com festa e escola de samba. Nós nos preocupamos mais em ser campeões morais do que campeões de fato. Valorizamos o esforço mais do que o resultado. Acreditamos que o sofrimento do percurso redime o fracasso da chegada, ao contrário dos países que dão certo, em que o sucesso do resultado é que redime o sofrimento do percurso.



As desigualdades que se acentuaram ao longo de governos autoritários parecem ter originado a idéia estapafúrdia de que, em uma democracia, os cidadãos devem ser iguais. Não tratados da mesma maneira: pelo contrário, tratados de maneira desigual, para que no resultado final se estabeleça a igualdade. Como é impossível elevar todos aos píncaros da glória, já que as aptidões individuais são diferentes, o objetivo passa a ser a mediocrização total. Por isso a palavra-chave dos tempos que correm é a "inclusão", e não o "mérito": para trazer todos à média, é preciso focar a atenção nos deficientes e ignorar – quando não reprimir – os talentosos.

Esse é sem dúvida um traço cultural, difuso, do brasileiro. Mas não há dúvida quanto ao locus no qual essa mentalidade é mais amplamente difundida e inculcada: a nossa escola. Há leis sobre o acolhimento de crianças com deficiências físicas e mentais na sala de aula; há preocupação com a questão dos excluídos no programa de livros didáticos do MEC, até da área de ciências. Mas não existe nenhuma preocupação oficial com a identificação e o desenvolvimento daquilo que o país tem de mais precioso: grandes mentes. Pelo contrário: quando esses esforços existem, normalmente vindos da iniciativa privada, são rechaçados pelos políticos dos mais diversos matizes. Quando uma ONG chamada Ismart, capitaneada por Marcel Telles, quis institucionalizar seu programa de bolsas a jovens talentos pobres de São Paulo, ouviu do então secretário estadual, Gabriel Chalita, que o instituto estava proibido de aplicar suas provas na rede estadual para descobrir os talentos e também de divulgar a iniciativa. Caberia à secretaria, com seus métodos e em privado, identificar os candidatos. Na secretaria municipal da gestão Marta Suplicy a recomendação foi mais direta: se havia uma preocupação com os alunos fora de série, por que não focar naqueles com síndrome de Down? Não é por acaso que o nosso censo escolar identifica míseros 2 553 alunos superdotados em um universo de 56 milhões de estudantes da educação básica: é preciso uma cegueira proposital para ver tão pouco.



A ojeriza à meritocracia em nossas escolas vem sob a desculpa de que a competitividade pode causar profundos danos à psique das crianças. Um sistema educacional como o chinês, em que os melhores alunos de cada sala são identificados publicamente – em algumas escolas, através do uso de lenços coloridos – e posteriormente transferidos às melhores escolas, desperta em nossos professores os seus instintos mais primitivos. Freqüentemente ouve-se que sistemas assim levam as crianças ao suicídio, depressão etc. É a senha para que criemos uma escola inclusiva, afetiva, que cria seres felizes e éticos. É uma empulhação sem tamanho. A literatura empírica educacional aponta o benefício de o aluno fazer dever de casa e ser avaliado constantemente, por exemplo. Práticas malvistas por nossos professores, porque supostamente significariam acabar com o componente lúdico da infância e, com certeza, roubariam o tempo lúdico do professor. Pior ainda: a suposta escola do afeto e da felicidade produz muito mais miséria, e por período bem mais longo de tempo, do que as agruras de um sistema meritocrático que premia o trabalho. O que é melhor: "sofrer" por algumas horas por dia na infância estudando com afinco e ter uma vida próspera e digna ou passar a juventude em brincadeiras e amargurar toda uma vida na humilhação do analfabetismo, do subemprego e da pobreza? Qual a sociedade que produz menos violência e infelicidade: aquelas em que os alunos brincam ou aquelas em que estudam?

Enquanto prepararmos a futura geração para que escolha entre o sucesso e a felicidade, o Brasil permanecerá sem os dois.


sábado, 30 de agosto de 2008

Professor (a), sim; Tio (a), não?

...a respeito de algumas discussões acaloradas sobre o assunto.




Paulo Freire



"...A tentativa de reduzir a professora à condição de tia é uma "inocente" armadilha ideológica em que, tentando-se dar a ilusão de adocicar a vida da professora o que se tenta é amaciar a sua capacidade de luta ou entretê-la no exercício de tarefas fundamentais. Entre elas, por exemplo, a de desafiar seus alunos, desde a mais tenra e adequada idade, através de jogos, de estórias, de leituras para compreender a necessidade da coerência entre discurso e prática; um discurso sobre a defesa dos fracos, dos pobres, dos descamisados e a prática em favor dos camisados e contra os descamisados, um discurso que nega a existência das classes sociais, seus conflitos, e a prática política em favor exatamente dos poderosos.
A defesa ou a pura aceitação de que é normal aprofunda a diferença que há às vezes, entre o discurso do candidato enquanto tal e seu discurso depois de eleito. Não me parece ético viver essa contradição ou defendê-la como comportamento correto. Não é com práticas assim que ajudamos a formação de uma cidadania vigilante e indispensável ao desenvolvimento da democracia.
Finalmente a tese de Professora, sim; Tia, não, é que, enquanto tios e/ou tias e/ou professores, todos nós temos o direito ou o dever de lutar pelo direito de ser nós mesmos, de optar, de decidir, de desocultar verdades.
Professora, porém, é professora. Tia é tia. É possível ser tia sem amar os sobrinhos, sem gostar sequer de ser tia, mas não é possível ser professora sem amar os alunos - mesmo que amar, só, não baste - e sem gostar do que se faz. É mais fácil, porém, sendo professora, dizer que não gosta de ensinar, do que sendo tia, dizer que não gosta de ser tia. Reduzir a professora a tia joga um pouco com esse temor embutido - o de tia recusar ser tia.
Não é possível também ser professora sem lutar por seus direitos para que seus deveres possam ser melhor cumpridos. Mas, você que está me lendo agora, tem todo o direito de, sendo ou pretendendo ser professor(a), querer ser chamado(a) de tio(a) ou continuar a ser.
Não pode, porém, é desconhecer as implicações escondidas na manha ideológica que envolve a redução da condição de professor(a) à de tio(a)..."


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"Última flor do Lácio inculta e bela"


Para além das questões políticas, partidárias, ideológicas e afins que este texto suscita, acredito que ele reflete exatamente o que tem acontecido com a educação no Brasil em seus aspectos gerais (não apenas no ensino da Língua Portuguesa, que mais me interessa no momento): uma simplificação do debate da valorização da cultura popular, transformado em falsa facilitação de tarefas, ou em outras palavras, em uma falsa adequação às aspirações/condições do aluno/povo.



Ignorância, sabedoria e nhenhenhém

No bate-boca lingüístico-cultural com FHC, Lula confunde simplicidade, que é bom, com ignorância, que não é
José de Souza Martins*

Referência recente ao vacilante português de Lula, por parte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, teve ácida reação do presidente Luiz Inácio, na costumeira linha de que não é preciso ser um acadêmico e doutor para ser o melhor presidente que o Brasil já teve. Deixando de lado que, segundo a sabedoria popular, elogio em boca própria é vitupério, o que está em jogo nas recíprocas alfinetadas é o fato de que o povo brasileiro é bilíngüe e um abismo ainda separa culturalmente pessoas de distintas origens sociais.

Fernando Henrique Cardoso vem do meio acadêmico e, por isso, do ideal republicano que começou a vingar com a formação de nossas universidades públicas, em particular a Universidade de São Paulo, de qual ele foi aluno e docente, de que a cultura erudita deveria ser desconcentrada e chegar até a massa do povo e da população pobre. A criação da Faculdade de Filosofia teve por objetivo preparar os docentes que levassem para o ensino médio o saber e a visão de mundo que se cultivava e difundia na universidade. E no ensino médio, nas escolas normais, seriam preparados os professores que levariam esse saber para as escolas primárias do campo e da cidade, para os ricos e para os pobres. Na cultura acadêmica criou-se e difundiu-se a concepção do dever de corrigir e ensinar, expressão de uma grande esperança pedagógica na missão emancipadora e libertadora do educador. Justamente por isso, houve tempo em que o professor era visto com admiração, respeito e acatamento. Dois petistas eméritos e destacados, Antonio Candido e Florestan Fernandes, que foram professores de Fernando Henrique Cardoso, tornaram-se, como o próprio Fernando Henrique, verdadeiros apóstolos dessa maravilhosa concepção do ensino e da educação. Talvez não tenham sido suficientemente ouvidos por Lula e outros petistas que tropeçam na dualidade cultural.

Lula fala o dialeto que se desenvolveu no subúrbio operário, especialmente no meio sindical e político, que é uma colagem de vocabulários, uma junção do imaginário do futebol e sua língua, com o vocabulário de uma difusa religiosidade de desobriga e, finalmente, o vocabulário dos dirigentes sindicais, que se sentem obrigados a falar a língua travada, kafkiana e cartorial dos formalismos da lei. Muitos dos operários que subiram na vida, como Lula, vinham do interior e da roça, habituados a falar o belíssimo dialeto caipira ou sertanejo, o português arcaico e literário que, mesclado com sonoridades e palavras da língua nheengatu, que foi nossa língua brasileira até o século 18, então proibida pelo rei de Portugal, tornou-se a língua popular, a língua cotidiana de todos nós.

A fala ágil e prática de Lula, não obstante os atritos gramaticais, que não são superiores em número à média nacional, representa bem comportado progresso. É um milagre que Lula não fale com sotaque italiano, do brasileiro de terceira geração que era diretor da escola primária em que estudei no mesmo subúrbio, e que era o sotaque de muitas crianças aqui nascidas. Nossa fala brasileira não esconde o substrato comum e popular da língua que todos falamos. Fernando Henrique foi injustamente crucificado, em 1997, por muitos petistas que hoje dele reclamam pelas referências ao português de Lula, por ter usado palavra da língua nheengatu e do dialeto caipira ao criticar seus críticos de ocasião, que o questionavam pelo suposto neoliberalismo, e dizer que isso era “nhenhenhém”, isto é, para simplificar, “falação”, falar demais e sem fundamento. “Nhenhenhém”, aliás, que todos usamos na nossa fala cotidiana, composta em boa parte de palavras do vocabulário tupi.

Temos aí um fenômeno histórico e social que não tem merecido atenção nem debate. A ascensão do PT se deu com base em polarizações de uma cultura dualista quase imperceptível, que nos divide como povo: os que são sujeitos da cultura erudita e os que o são da cultura popular. Até aí, nada muito diferente do que ocorreu em outros países, em que houve a valorização da cultura popular em nome da necessidade histórica e política de reconhecer nos pobres e nos trabalhadores uma identidade própria, sólida e antiga. Na Itália, foi a antropologia gramsciana de Ernesto De Martino e seus seguidores que reconheceu nos simples um saber próprio e legítimo. Na Inglaterra, foi a corrente historiográfica que teve no historiador Ralph Samuel uma das referências no estudo de costumes e tradições do povo. Com a diferença de que os trabalhistas ingleses criaram em Oxford o Ruskin College, um college para dar a trabalhadores a oportunidade do estudo num dos melhores centros universitários do mundo.

No Brasil, o racha lingüístico e cultural ganhou força política por essas influências externas, especialmente a de Antônio Gramsci, a partir dos anos 60, no reconhecimento da legitimidade da língua do povo, mas também de sua medicina, de seu direito, de sua agronomia, de sua botânica, de sua zoologia, de sua arquitetura imaginativa (de que as favelas estão cheias de exemplos), de sua literatura oral, de sua arte primitiva, de sua música antiga e, não raro, refinada, na viola de dez cordas. As pastorais sociais da Igreja Católica abrigaram, e trataram com respeito, durante um tempo, a cultura acadêmica voltada para o popular e diferente. Pesquisas foram feitas, estudos realizados. As complicações começaram com as simplificações da militância política e partidária, que levaram ao rompimento com o verdadeiro mundo acadêmico e à desqualificação do saber erudito, o que o MST faz reiteradamente.

O resultado, certamente perigoso, foi a afirmação da tendência de que a ignorância é sábia e o saber erudito é luxo. Lula repetidamente se aventura nessa linha, pensando em si mesmo, em vez de pensar em milhões de crianças e adolescentes que não podem nem devem ser desestimulados em relação à importância vital da escola, da educação e do conhecimento de alto nível para que este país se torne logo o País que queremos.

*José de Souza Martins é professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Dia do Professor


Usar esta data para falar de todas as mazelas que afligem a educação me deixa deprimida.

Então, a título de curiosidade...


Como surgiu o Dia do Professor

Tudo começou em 1827, mais precisamente no dia 15 de outubro, quando D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, exigia-se que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.
Mas, como quase tudo neste país, o decreto, que continha boas idéias em relação à educação, não saiu do papel.
Em 1947 aconteceu a primeira comemoração da data, em São Paulo, quando quatro professores, estafados pelo longo período letivo, resolveram se organizar em um dia de parada, para descanso e planejamento do restante do ano letivo.
Nos anos seguintes, a idéia se espalhou pela cidade e pelo país.
A data foi oficializada nacionalmente como Feriado Escolar por Decreto Federal em 1963:



Senado Federal
Subsecretaria de Informações
decreto nº 52.682, de 14 de outubro de 1963.
Declara feriado escolar o dia do professor.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL, usando das atribuições que lhe confere o item I do artigo 87 da Constituição Federal,
Decreta:

Art. 1º O dia 15 de outubro, dedicado ao Professor fica declarado feriado escolar.
Art. 2º O Ministro da Educação e Cultura, através de seus órgãos competentes, promoverá anualmente concursos alusivos à data e à pessoa do professor.
Art. 3º Para comemorar condignamente o dia do professor, aos estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias.
Art. 4º Êste Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Brasília, 14 de outubro de 1963; 142º da Independência do Brasil; 75º da República.

João Goulart
Paulo de Tarso